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19 de abril de 2007
Marques Mendes operado é notícia um mês depois

O meu pássaro (aquele, aqui de cima) está parvo.

Nesta postagem eu poderia fazer um par de comentários a um comunicado de imprensa que um amigo meu jornalista me enviou. Mas decidi fazer melhor. Decidi publicá-lo para que o possam ler.

Os factos que motivariam uma notícia aconteceram... hoje? ontem? há dois dias?

RESPOSTA ERRADA. NÃO!

Os factos apenas aconteceram no MÊS PASSADO.

Ok, ok, essa malta das notícias anda distraída com a possível, eventual, confirmada, desmentida, trapalhada da licenciatura do Zé e não ligou nenhuma ao feito do Hospital de S. Maria.

Pois bem o Hospital decidiu enviar um comunicado à imprensa em forma de notícia já feita.

Além do mês de atraso, o texto é fabuloso.

Decidi publicar a versão na íntegra no post anterior mas quero sublinhar algumas coisitas que lá estão:



Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Santa Maria Realiza Intervenção Cirúrgica Única no Mundo



O Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Santa Maria realizou, no pretérito dia 21 de Março de 2007, uma intervenção cirúrgica em que foi utilizada uma técnica original e inteiramente desenvolvida em Portugal.

O Prof. Doutor Dinis da Gama, especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular, Director do Serviço, volvidos catorze dias após o complexo e delicadíssimo acto cirúrgico, concedeu-nos esta entrevista....

nota do blog: entrevista, novo tipo de comunicado de imprensa



«Este caso envolveu uma doença denominada aneurisma da aorta. A aorta é a principal artéria que irriga todo o organismo, ou seja, é a artéria que leva sangue a todos os segmentos do nosso corpo, e, muito embora raramente, por vezes adoece e começa a dilatar. Regra geral, essa dilatação é progressiva e a dado momento rompe, eventualidade que em segundos provoca a morte do doente. A única forma de prevenir essa evolução catastrófica é sujeitar o doente a uma intervenção cirúrgica, a qual consiste em retirar o aneurisma e substitui-lo por um conduto protésico. Esse conduto, ou se quiser, esse substituto, consta de uma aorta de plástico, actualmente muito sofisticada e sem qualquer risco de rejeição».

nota do blog: os médicos ensinam o povo que as operações tem sempre riscos.





Para que a informação nos chegasse pormenorizada, o Professor, sempre com uma linguagem acessível continuou: «Em determinadas circunstâncias, o aneurisma é de tal forma grande que envolve não só a aorta do abdómen como também a aorta torácica, o que implica uma intervenção cirúrgica muito complexa. E complexa porque se torna necessário retirar toda a aorta, quer no tórax quer no abdómen, o que significa que estamos perante uma operação que obedece à abertura de toda a cavidade torácica e de toda a cavidade abdominal. Mas para que entenda melhor a delicadeza do processo, posso adiantar-lhe também que para além dessa delicada intervenção, é necessário interromper toda a circulação sanguínea para se proceder à implantação da nova aorta artificial».

nota do blog: não esquecer de elogiar o Doutor mesmo que o elogio seja pouco rigoroso.




Uma técnica americana adaptada à realidade portuguesa




O Professor Dinis da Gama, visivelmente sereno, confiante e determinado, continuou: ....




nota do blog: repita o tom elogioso várias vezes. Os jornalistas são distrídos e burros por definição. E podem não reparar à primeira



Um orgulhoso olhar de todos e para todos




O Prof. Doutor Dinis da Gama, convidado a um rápido olhar a estes catorze dias, numa só frase fez emergir o seu sentimento de Homem, de Profissional e de Director: «Olhando para estes catorze dias, começo por testemunhar o meu elevado apreço pelo excepcional pessoal que temos(,....). Eu tenho muito orgulho naquilo que fazemos! Tenho muito orgulho no meu pessoal e tenho muito orgulho no Hospital de Santa Maria!».



nota do blog: e o Grande Final:

Lágrimas com sabor a Vida




O intervencionado, senhor Francisco Marques Mendes, com a voz embargada pela extrema e compreensível comoção, começou por nos dizer que deve a sua "nova" vida ao Senhor Professor Doutor Dinis da Gama e a toda a sua equipa.

Face pontiaguda, tingida de um castanho dourado emprestado pelos raios solares e severamente mapeada com os traços de quem trabalha a terra, o senhor Francisco deixou-se vencer pela catadupa de lágrimas que ia bebendo.

Eram lágrimas com sabor a vida.

Eram lágrimas de eterno agradecimento a todos quantos lhe ofereceram condições para voltar a chorar.

Eram as lágrimas do senhor Francisco Marques Mendes.

Ao jornalista, atraiçoado pela forte emoção que emoldurou esta visita ao homem de face pontiaguda tingida de castanho dourado, restou expressar um voto do tamanho de todos os mundos de muita saúde ao senhor Francisco.

Da porta da enfermaria ainda acenámos um Adeus.

O senhor Francisco lá ficou, sentadinho, a beber as suas lágrimas com sabor a Vida.

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Marques Mendes Operado no Hospital de Santa Maria


Comunicado de Imprensa do Hospital de Santa Maria






Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Santa Maria Realiza Intervenção Cirúrgica Única no Mundo

O Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Santa Maria realizou, no pretérito dia 21 de Março de 2007, uma intervenção cirúrgica em que foi utilizada uma técnica original e inteiramente desenvolvida em Portugal.
O Prof. Doutor Dinis da Gama, especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular, Director do Serviço, volvidos catorze dias após o complexo e delicadíssimo acto cirúrgico, concedeu-nos esta entrevista onde foram observados todos os aspectos mais expressivos da cirurgia realizada, e que, para além de outros factores, vem mostrar as capacidades e potencialidades existentes no nosso País.
«Este caso envolveu uma doença denominada aneurisma da aorta. A aorta é a principal artéria que irriga todo o organismo, ou seja, é a artéria que leva sangue a todos os segmentos do nosso corpo, e, muito embora raramente, por vezes adoece e começa a dilatar. Regra geral, essa dilatação é progressiva e a dado momento rompe, eventualidade que em segundos provoca a morte do doente. A única forma de prevenir essa evolução catastrófica é sujeitar o doente a uma intervenção cirúrgica, a qual consiste em retirar o aneurisma e substitui-lo por um conduto protésico. Esse conduto, ou se quiser, esse substituto, consta de uma aorta de plástico, actualmente muito sofisticada e sem qualquer risco de rejeição». Para que a informação nos chegasse pormenorizada, o Professor, sempre com uma linguagem acessível continuou: «Em determinadas circunstâncias, o aneurisma é de tal forma grande que envolve não só a aorta do abdómen como também a aorta torácica, o que implica uma intervenção cirúrgica muito complexa. E complexa porque se torna necessário retirar toda a aorta, quer no tórax quer no abdómen, o que significa que estamos perante uma operação que obedece à abertura de toda a cavidade torácica e de toda a cavidade abdominal. Mas para que entenda melhor a delicadeza do processo, posso adiantar-lhe também que para além dessa delicada intervenção, é necessário interromper toda a circulação sanguínea para se proceder à implantação da nova aorta artificial».

Uma técnica americana adaptada à realidade portuguesa

O Professor Dinis da Gama, visivelmente sereno, confiante e determinado, continuou: «Fiz a minha formação nos Estados Unidos da América. Em 1976 estava a trabalhar no maior Centro de Cirurgia Vascular do mundo, onde aprendi com os melhores cirurgiões do século XX. Quando regressei a Portugal, trazia, como é natural, os conceitos e as técnicas americanas, no entanto, lamentavelmente verifiquei que os primeiros doentes que operei não sobreviveram. E não sobreviveram por várias razões: o contexto onde decorre a assistência nos Estados Unidos da América não é o mesmo que decorre em Portugal. Nós, portugueses, somos diferentes e em termos de organização hospitalar tudo é diferente. Somos portugueses, não somos americanos, e as técnicas americanas não têm que ser obrigatoriamente viáveis em Portugal, razão que me levou a adaptar as técnicas americanas às circunstâncias da realidade portuguesa e que fez nascer, em 1984, a publicação desta técnica». E sustentou: «Felizmente que estas situações são muito raras, no entanto, ao longo destes anos temos vindo a aplicar esta técnica que se tem mostrado bem sucedida. Agora tivemos o caso deste doente, um homem de raça caucasiana, com cinquenta e nove anos e que apresentava um aneurisma da aorta com nove centímetros de diâmetro, quando uma aorta normal mede dezoito milímetros. Atente que estamos perante uma situação com uma dimensão cinco vezes superior ao normal, com a agravante de estar na iminência de romper. Ora, a operação que realizámos há precisamente catorze dias e que consistiu na abertura do tórax, do abdómen e a substituição não só de toda a aorta, mas também – e aqui é que está a singularidade – de cada uma das artérias que vai irrigar os rins, vai irrigar o intestino e vai irrigar o fígado, tornou o procedimento muito complexo e extremamente exigente, e mais exigente ainda por estarmos a trabalhar com limites temporais. Tudo tem que ser feito dentro de um período de tempo muito limitado».

O Hospital de Santa Maria, a muita experiência e a elevada qualificação dos profissionais

Instado sobre as condições técnicas e humanas necessárias à realização deste tipo de intervenção, o Prof. Dinis da Gama foi peremptório: «Naturalmente que para se realizar uma operação desta complexidade é necessária muita experiência, mas também é indispensável um conjunto de condições que só se encontram no Hospital de Santa Maria. Por outro lado, também é preciso sublinhar que este tipo de trabalho só se consegue com a participação de bons profissionais, e nós temos excelentes equipas. Dispomos de cirurgiões altamente qualificados, dispomos de anestesistas altamente qualificados e dispomos de enfermeiros altamente qualificados. Para além da cirurgia, temos depois o delicadíssimo período pós-operatório em que é necessário estar, a cada minuto, durante as vinte e quatro horas do dia, junto do doente. E se não veja: este doente perdeu oito litros de sangue, conseguimos recuperar cinco litros e seiscentos mililitros através de um processo de auto-transfusão, mas para todos os efeitos fez uma transfusão maciça, pelo que são perfeitamente normais as desregulações que possam ocorrer, situações que obedecem a um acompanhamento muito cuidadoso e em tempo útil de modo a ser dada resposta pronta a qualquer eventual complicação».

Um orgulhoso olhar de todos e para todos

O Prof. Doutor Dinis da Gama, convidado a um rápido olhar a estes catorze dias, numa só frase fez emergir o seu sentimento de Homem, de Profissional e de Director: «Olhando para estes catorze dias, começo por testemunhar o meu elevado apreço pelo excepcional pessoal que temos, quer a nível de médicos internos quer a nível do corpo de enfermagem. Depois, olhando à singularidade do acto operatório, olhando ao facto de ter sido realizado com uma técnica criada em Portugal e olhando ao facto de nos limites extremos da vida conseguirmos, ao fim de catorze dias nos cuidados intensivos, salvar e recuperar estas pessoas, são factores que constituem um quadro extremamente gratificante. Mais, são factores que merecem ser reconhecidos, por nós em primeiro lugar, depois pelo Conselho de Administração do Hospital e também por todos os portugueses».
E o Professor fechou o seu breve olhar aos catorze dias com estas fortes afirmações: «Temos que ter orgulho no que de bom conseguimos fazer, muito particularmente quando se cria algo de novo e com isso se torne possível salvar vidas. Eu tenho muito orgulho naquilo que fazemos! Tenho muito orgulho no meu pessoal e tenho muito orgulho no Hospital de Santa Maria!».

O staff que interveio na cirurgia

Depois de observados os aspectos mais relevantes e que, de certo, vão marcar a história médico-cirúrgica portuguesa, fica a informação de que esta cirurgia, iniciada às nove horas e concluída às dezoito horas, foi realizada por um staff composto pelos seguintes elementos: Prof. Doutor Dinis da Gama, que chefiou a equipa de Cirurgia, respectivamente: Dr. Diogo Cunha e Sá; Dr. José Maria Rodriguez, e Dra. Madalena Romero. A equipa de Anestesia foi chefiada pela Dra. Ângela Garcia, coadjuvada por mais três médicos anestesistas. A equipa de enfermagem foi integrada por uma enfermeira anestesista, duas enfermeiras instrumentistas e duas enfermeiras circulantes.
Também sobre a prestação de todo o staff directa ou indirectamente envolvido no acto cirúrgico, o Prof. Dinis da Gama fez questão de enaltecer o excepcional trabalho prestado pelo Serviço de Imuno-Hemoterapia, pelo Serviço de Pneumologia e naturalmente pelo pessoal do próprio Serviço de Cirurgia Vascular.

Lágrimas com sabor a Vida

O intervencionado, senhor Francisco Marques Mendes, com a voz embargada pela extrema e compreensível comoção, começou por nos dizer que deve a sua “nova” vida ao Senhor Professor Doutor Dinis da Gama e a toda a sua equipa.
Face pontiaguda, tingida de um castanho dourado emprestado pelos raios solares e severamente mapeada com os traços de quem trabalha a terra, o senhor Francisco deixou-se vencer pela catadupa de lágrimas que ia bebendo.
Eram lágrimas com sabor a vida.
Eram lágrimas de eterno agradecimento a todos quantos lhe ofereceram condições para voltar a chorar.
Eram as lágrimas do senhor Francisco Marques Mendes.
Ao jornalista, atraiçoado pela forte emoção que emoldurou esta visita ao homem de face pontiaguda tingida de castanho dourado, restou expressar um voto do tamanho de todos os mundos de muita saúde ao senhor Francisco.
Da porta da enfermaria ainda acenámos um Adeus.
O senhor Francisco lá ficou, sentadinho, a beber as suas lágrimas com sabor a Vida.

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12 de fevereiro de 2007
Os Jornalistas e Os Blogs
O texto é longo mas vale a pena ler.
Foi escrito pelo jornalista brasileiro Alex Castro em 2004 mas aplica-se á blogosfera jornalística portuguesa actual



BlogAlex Castro
Editor do seu Guia de Blog na Internet
Publicado na Tribuna da Imprensa, em Abr.09, 2004


Hoje, muitos dos melhores blogs brasileiros são mantidos por jornalistas.
Não é difícil de entender o motivo. A Internet, e em especial, os blogs,
oferecem aos jornalistas muitas maneiras de potencializar seu trabalho.
Infelizmente, entretanto, também surgem novos problemas. Vantagem: Pré-Pauta
On-Line Meu blog Liberal Libertário
Libertino
tem cerca de mil visitas por dia. No começo da semana, eu sempre
faço um post sobre o assunto da minha coluna de sexta-feira. Invariavelmente, o
feedback dos leitores se prova fundamental: mais de uma coluna já foi abortada,
ou possibilitada, por suas críticas e sugestões. O blog do
Alex Teixeira
, por exemplo, tema da coluna de 12 de março , foi indicação de uma leitora, a Mitcha, em resposta a
uma pré-pauta sobre blogs das pessoas mortas. Vantagem: Complementando o Jornal
Qualquer matéria sempre fica bem maior do que o espaço disponível. Muita coisa
que seria interessante para os leitores acaba sendo cortada. O blog atua como um
complemento à coluna. Lá, eu publico a versão original do artigo, sem cortes,
com todas aquelas informações mais detalhadas que não couberam no jornal, como
sites das organizações citadas ou declarações ipsis litteris dos entrevistados.
Pra mim, seria impossível pensar minha coluna separadamente do blog. Pra começar,
fui convidado para escrever a coluna por causa do trabalho no blog. É no blog que faço minha
pré-pauta on-line e debato a futura coluna com os leitores. E, por fim, o blog acolhe tudo o
que não coube, ou não foi apropriado, de publicar no jornal. Desvantagem: Os
Inevitáveis Mal-Entendidos Há alguns dias, uma leitora ficou revoltada com um
dos posts do meu blog. Abaixo do post,
havia um aviso: "Uma versão bastante editada desse texto foi publicada na
Tribuna da Imprensa". Ao lado, havia um link para a página do site da Tribuna
onde a matéria estava publicada. Minha leitora não clicou nesse link. Ela não
comprou o jornal. Leu meu blog, não gostou e
reclamou. Mas reclamou para a Tribuna. Foi uma situação sui-generis: ela
escreveu para o jornal reclamando de um comentário que o jornal jamais publicou.
A explicação é simples: o tal comentário existia apenas no blog, tendo sido
cortado da versão final publicada no jornal. Naturalmente, minha leitora poderia
ter prestado mais atenção ao aviso "versão bastante editada". Além disso, não
custa nada ler um jornal, nem que apenas a versão on-line, antes de reclamar
dele. Se eu fosse inteligente, deixaria o assunto morrer. Mas não sou
inteligente, e é uma história boa demais para não virar coluna. Jornais tentam
controlar blogs Por essas e outras, vários jornais dos Estados Unidos estão
tentando controlar os blogs dos seus jornalistas. Recentemente, Steve Outing
descreveu os paradoxos dessa nova situação em seu artigo "Quando Jornalistas
Blogam, Editores Ficam Nervosos" ("When Journalists Blog, Editors Get Nervous"),
na revista norte-americana Editor & Publisher: O New York Times, por exemplo, proíbe
jornalistas de manter blogs relacionados à sua área de atuação. E quaisquer
outros blogs, sobre quaisquer outros assuntos, têm que ser previamente aprovados
por uma redação nada simpática ao assunto. Tereza Cruvinel poderia ter um blog
sobre literatura, por exemplo, mas nunca sobre os bastidores da política. Fica
implícito que, se ela tem algo a dizer sobre os bastidores da política, que o
diga em sua coluna. Também fica implícito que, qualquer coisa que ela por
ventura dissesse sobre os bastidores da política em seu blog poderia visto como
uma continuação de sua coluna. Muitos leitores não conseguiriam distinguir entre
a cidadã falando por si mesma e a colunista escrevendo em O Globo e fariam
exatamente como minha leitora: culpariam o jornal por um conteúdo externo a ele.
A pior solução talvez seja a dos jornais que permitem seus jornalistas terem
blogs sobre qualquer coisa - desde que cada post seja previamente autorizado por
um editor. Acho que se eu tivesse que esperar minha atarefada editora aprovar
cada post do meu blog, eu não conseguiria fazer nem seis posts por ano. Outing
conta que uma jornalista-blogueira, depois de contratada por um grande jornal
norte-americano, encontrou tantas restrições ao seu blog que confessou: se
soubesse que era assim, não teria aceito o emprego.
Conversei com diversos
jornalistas-blogueiros tupiniquins. Aqui, felizmente, essa questão nem começou a
surgir e ainda dá tempo de levá-la com mais jogo de cintura.
Os Blogs de O
GloboDentre os jornalões, O Globo partiu na frente e ofereceu blogs a todos os
seus colunistas - há planos de oferecer blogs aos outros jornalistas no futuro.
Alguns aceitaram, outros não, talvez relutando em abrir mão da liberdade de
escrever o que bem quiserem em seus blogs independentes. Não precisavam ter
medo. Pelo menos, não por enquanto. Apesar de O Globo hospedar esses blogs
dentro do seu próprio site, não há qualquer tentativa de controle do conteúdo.
Os colunistas-blogueiros não receberam quaisquer instruções sobre que tipo de
conteúdo seria adequado incluir nos blogs. A única regra: não deixar o blog
parado mais de uma semana.De certo modo, O Globo está brincando com fogo. Alguém
que leia um determinado conteúdo em um blog de um funcionário de O Globo dentro
do site do próprio O Globo estaria completamente justificado em presumir estar
lendo um conteúdo endossado por O Globo.O jornal exerce controle sobre sua
versão impressa, entre outras coisas, por ser legalmente responsável por tudo o
que sair nela. No caso dos blogs, a responsabilidade legal é a mesma, mas o
jornal não tem controle algum sobre o que é publicado, dependendo apenas do
bom-senso dos funcionários.Gravatá, um dos colunistas do caderno de informática
de O Globo, usa seu blog para
potencializar sua coluna, incluindo ilustrações e links que não caberiam na
versão impressa, além de escrever sobre outros temas.Blog Oficial MesmoO blog do
Gravatá, por estar dentro do site de O Globo, parece um blog oficial mas, na
verdade, não é. O Bit a Bit, por
seu lado, é o blog oficial do Internet & Tecnologia , caderno de informática
do jornal O Dia.A repórter Mylène Neno, uma das colaboradoras do blog,
explica:"A idéia foi ter um lugar no qual pudéssemos postar notas sobre o
mundinho hi-tech numa linguagem mais informal, algumas vezes até dando a nossa
opinião (algo que raramente ocorre no caderno impresso, salvo os testes de
produtos, é claro...). Vez por outra, as notas que saem no Bit a Bit são
veiculadas depois na coluna chamada On-line, do caderno impresso."A subeditora
Alessandra Carneiro e a própria Mylène, empolgadas pelo mundo dos blogs e
fotologs, são quem mais escrevem, junto com o editor Julio Preuss.Apesar de ser
um blog oficial do jornal, o Bit a Bit não
sofre "qualquer tipo de interferência sobre o conteúdo postado lá," diz Mylène.
E finaliza: "Esperávamos interagir mais com o público, mas ainda não recebemos
tantos comentários quanto gostaríamos."Os Bastidores da MatériaMauro Ventura era
colunista do Jornal do Brasil. Quando passou para O Globo como repórter
especial, sentiu falta daquele contato mais pessoal com os leitores. Por isso,
criou o blog DizVentura, para
"amenizar orfandade da coluna.""A gente faz reportagens interessantes," explica
Mauro "mas os bastidores são ainda mais interessantes."Recentemente, Mauro foi a
São Paulo entrevistar Chico Buarque durante o lançamento do filme Benjamin. A
matéria ficou ótima, mas melhor ainda foi o post onde Mauro conta como teve que
se disfarçar de funcionário da produção para poder entrevistar o Chico.Em outra
ocasião, Mauro foi convidado para cobrir uma das sessões do cineminha do Lula,
no Palácio do Planalto. Lá pelas tantas, bateu aquela vontade de ir ao banheiro
e Mauro se pegou urinando lado a lado ao presidente, ali, sozinho no banheiro,
sem seguranças nem nada. Mauro poderia ter... mijado no Presidente!
Naturalmente, como inserir isso em um artigo para o Segundo Caderno de O
Globo?"Numa matéria, não cabe o bastidor. O repórter não é noticia, ele tem que
se distanciar e deixar os entrevistados aparecerem. Ficaria até cabotino falar
dos bastidores em uma reportagem. No blog, faz parte."E como faz. Quem lê O
Globo não está necessariamente querendo saber das peripécias do Mauro. Quer
saber é das últimas notícias e talvez nem repare no nome dele em cima da
matéria. Já os visitantes de seu blog são seu público cativo por definição: eles
estão lá para ouvir o que ele tem a dizer.Mas publicar esses bastidores não
seria conflito de interesses? Afinal, se não foram apropriados para publicar no
jornal, talvez não devam ser publicados em lugar algum.Mauro negou
categoricamente: "Publico coisas que não cabem no jornal. E claro que tenho bom
senso de saber o que colocar."O blog de Mauro não é segredo para ninguém. Ele
assina com seu nome verdadeiro e faz menção às suas reportagens em O Globo.
Apesar disso, ele acha que ninguém no jornal conhece o DizVentura: "Nunca
tive nenhum retorno de nenhum chefe sobre o blog, nem sei se sabem."E, para
Mauro, sua grande liberdade é justamente esse relativo anonimato do blog.Humor
Sem Papas na LínguaNelito Fernandes assina um dos blogs mais populares e
engraçados do Brasil, o Eu Hein!. Mas nem sempre foi
assim. Embora a autoria do blog não fosse segredo para amigos e colegas, Nelito
só passou a assinar os posts quando aceitou uma colaboradora, para diferenciar
as contribuições de um e de outro.Não foi uma decisão fácil. O Eu Hein! é um site de humor
ferino. Nelito, jornalista da Época, temeu por sua credibilidade: "E se eu
zoasse de alguém e depois tivesse que entrevistá-lo?". Mas acabou decidindo
assinar: "Afinal, é um site de humor, não de notícias."Parece que não havia
mesmo o que temer. "O Eu Hein! não tem papas na
língua," diz Nelito, "mas foi abrigado por duas corporações, o que prova que não
é inconveniente."As corporações são o Terra, que abrigou o Eu Hein!, tornando Nelito o
primeiro blogueiro brasileiro a ganhar dinheiro com o seu blog, e o jornal
Extra, das organizações Globo, onde Nelito tem uma coluna semanal baseada no
conteúdo do blog."Já fui processado duas vezes," confessa, "mas a Época nunca se
opôs, ou se pronunciou em respeito, bem ou mal, ao Eu Hein!."Blog com
PseudônimoPara maior liberdade, alguns jornalistas preferem manter seus blogs
com pseudônimos.Quando a jornalista Martha Mendonça, colega de Nelito na Época,
começou o blog Elas por Elas, ela
decidiu usar um pseudônimo por estar tratando de um assunto muito delicado:
histórias reais de relacionamentos. Martha queria falar de si mesma e de seus
conhecidos, e teve medo que, se usasse seu nome verdadeiro, as histórias seriam
facilmente reconhecíveis por seu círculo de amizades.Com o tempo, entretanto, o
segredo foi se esvaecendo. Quando Martha e sua colega de blog, Carla Rodrigues,
da NoMínimo, lançaram "Mulheres no Ataque", o livro baseado no Elas por Elas, já
assinaram com seus nomes verdadeiros.Marta nunca sofreu qualquer tipo de pressão
da direção da Época por causa de seu blog.A Rigidez do Meio JornalísticoMês que
vem, será lançado pela Civilização Brasileira o livro "Blog: Comunicação e
Escrita Íntima na Internet", de Denise Schittine. No capítulo dedicado à relação
entre jornalistas e seus blogs, Denise conclui que esses profissionais caem na
rede justamente para fugir das obrigações da profissão, para poderem escrever
poesias, romances e contos sem se verem cerceados pela rigidez do meio
jornalístico.Sem dúvida alguma, esse é o caso de Martha e Nelito. Já Gravatá e
Mauro escrevem não para fugir de seu trabalho, mas para complementá-lo.Por
enquanto, a situação no Brasil ainda é bem relaxada. Mesmo os jornais que
hospedam blogs, como O Globo e O Dia, não impuseram nenhuma diretiva ou controle
aos profissionais envolvidos. Outros jornais parecem ignorar solenemente o
fenômeno blog.O Leitor, Esse Sem-NoçãoFundei e dirigi o Projeto SobreSites, um portal
com guias sobre diversos assuntos, desde Hare Krishna até Harry Potter. Cada
Guia nada mais é do que uma seleção comentada de links. Cada página do
SobreSites segue um template rígido, com o logo do site sempre em destaque, as
mesmas cores, tudo igual.Ainda assim, nada era mais comum do que usuários nos
escreverem reclamando de conteúdo que não estava no SobreSites. Na primeira vez,
demorou para entendermos o problema. A pessoa tinha clicado em um dos nossos
links recomendados e estava reclamando de um conteúdo visto em outro site. E
nunca percebeu que o tal site sobre o qual estava reclamando não tinha nada,
nada a ver com qualquer página do SobreSites.Com leitores assim, como culpar um
jornal por temer que leitores desavisados confundam os posts de um colunista em
seu blog pessoal com a opinião oficial do jornal?Eu estaria sendo cínico se
dissesse que esse temor é infundado. Já senti esse problema na pele, tanto na
época do SobreSites quanto na semana passada, na Tribuna.Por isso, alguns
jornais norte-americanos estão tomando a medida extrema de simplesmente proibir
seus jornalistas de manterem blogs.Nelito Fernandes ficou revoltado: "É um
absurdo! Estão confundindo pessoa jurídica com pessoa física!"O temor pode ser
justificado mas não podemos esquecer que estamos, afinal, no ramo da informação.
Se já podemos prever uma possível (para não dizer provável) confusão na cabeça
do leitor, cabe a nós, tanto jornais como jornalistas, informar melhor o leitor
e prevenir o problema."Nunca proibir", sentencia Nelito.

Links RelacionadosElas por Elas - de
Martha Mendonça (Época) e Carla Rodrigues (NoMínimo)Blog do
Gravatá
- de Luiz Antônio Gravatá (O Globo)Eu Hein! - de Nelito Fernandes
(Época)DizVentura - de
Mauro Ventura (O Globo)Bit a Bit - blog
oficial do Internet & Tecnologia, caderno de informática do jornal O
Dia

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28 de janeiro de 2007
Mensagem clara

A mensagem para ser apercebida e apreendida com eficácia deve ser simples e curta.
A regra é uma espécie de "vaca sagrada" para quem quer aparecer na rádio e tv ou criar uma boa manchete dum qualquer jornal diário.
Mas na actual campanha do aborto está a acontecer um paradoxo interessante.
Se numa qualquer campanha de marketing ou política os actoreres querem que o seu ponto de vista chegue aos eleitores na campanha do aborto a regra parece ser a de tentar confundir o mais possível os eleitores.
Assim a mensagem confusa ou para induzir confusão - no caso usada pelos advogados do Não ao aborto - serve de facto o seu interesse principal.
Se os receptores da mensagem mediática não perceberem nada do que está em causa ou fiquem com muita poeira na cabeça, tenderão a não decidir nada.
Essa mensagem nevoeiro terá como efeito um aumento da abstenão ou dos "Nãos" porque sim. Os nãos a jogar pelo seguro.
Se a campanha fosse para vender roupa, não venderiam nem um par de cuecas.
Como é sobre um pedaço de consciência, os resultados são brilhantes.

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17 de janeiro de 2007
Justiça abutre
Já suspeitava.

in Lusa :


A jornalista Helena de Sousa Freitas considerou hoje, em Viana do Castelo, que,
muitas vezes, é "por preguiça" que os tribunais pressionam os jornalistas a
revelarem as suas fontes e, assim, violar em o sigilo profissional.
Segundo
Helena de Sousa Freitas, as pressões acontecem porque a justiça
"fica irritada por ter de ser ela a investigar", quando, se o jornalista se pre
dispusesse a abrir o livro, ficaria "com a papinha toda feita".
"Há aqui um bocadinho de preguiça dos tribunais", sublinhou.
Helena Sousa Freitas falava na sessão de apresentação do seu livro "Sig ilo Profissional em Risco - Análise dos Casos de Manso Preto e de Outros Jornali stas no Banco dos Réus", desenvolvido a partir de um trabalho apresentado pela a utora à Faculdade de Direito de Lisboa, no âmbito de um curso de pós-graduação e m Direito da Comunicação Social.

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9 de janeiro de 2007
Assessor de imprensa = Imbecil
Há 3 categorias de asssesor de imprensa:
  • O amigo do chefe
  • O amador
  • O profissional

e a quarta categoria: o Assessor de Imprensa que trabalha para o Governo e tem dúvidas ou certezas existenciais sobre se é assessor de imprensa, asssessor político ou conselheiro-mor do ministro.

O assessor por acaso amigo do chefe é transitório, não sabe nada sobre a imprensa e muito menos sobre o tema de que trata a organização do chefe. Qualquer pergunta acertará sempre na trave. "Não sei..." "Ainda não é o momento..." "Vou ver..."

O amador é o assessor que por boa vontade ou entalado pelo chefe tem que "desenrascar" o lugar. Ainda por cima esta coisa das relações públicas e media entrou na moda e fica bem ter um em casa. Se o amador tiver jeito até pode evoluir e tornar-se profissional.

O Profissional é aquele que conhece o assunto, sabe de jornalismo, conhece os jornalistas importantes e defende a sua instituição. Nota-se a léguas porque pergunta sempre "Para quando precisa de uma resposta?"

Finalmente o Imbecil. Perdão, o Assessor Político armado em conselheiro governamental.

São a esmagadora maioria dos assessores dos ministros do Governo. Sim, deste governo também. Geralmente não dominam o funcionamento dos media nem sabem bem como funciona o cérebro editorial dos jornalistas. Depois à o subgrupo dos que tem alergia aos jornalistas. Que nojo, arg. E os que acham que a imprensa é força de bloqueio e de oposição ao Governo.

Ora cá está amigo Primeiro-Ministro aquilo que se convencionou chamar o fim do Estado de Graça. É´o momento em que os seus rapazolas subordinados assessores de imprensa começam a ficar com azia no contacto com os jornalistas e vice-versa.

Adivinhe quem vai sair amarrotado deste ligeiro conflito de interesses?

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18 de dezembro de 2006
Lavei a cara


Tenho um novo design no blog.
Espero que gostem.
Obrigado à Cristina

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rabiscado por Palpitar at 11:11 |Permalink| |

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17 de dezembro de 2006
Ex-cita-ção CITADOR
Passo a acolher uma brilhante ideia no blog.
O Citador

fica o exemplo, ficará aqui ao lado na barra de rolagem

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rabiscado por Palpitar at 22:33 |Permalink| |

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12 de dezembro de 2006
Futebol, assobia, Carolina

Carolina Salgado sabe fazer "sound-bytes"


As minhas pernas começaram a tremer, senti um frio no estômago e tive que sair da pista de dança”, lembra quando viu Pinto da Costa pela primeira vez. “Previ que estava a nascer um grande amor e não me enganei. Dançámos três músicas seguidas e a sensação que tinha era que apenas existíamos nós, não havia ninguém em volta. Fez-me sentir uma verdadeira princesa”, confessa.

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rabiscado por Palpitar at 13:03 |Permalink| |

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7 de dezembro de 2006
Casa Pia, nobel da comunicação
Atribuo o Prémio Nobel da Comunicação deste dia à Casa Pia de Lisboa.

O que estará a acontecer entre estes dois bonecos?
quem será o criativo que inventou o mais contextualizado simbolo duma instituição face ao seu passado recente?
Conseguem perceber se a cara do boneco grande é alguém conhecido?
E o petiz está a ser protegeido ou aconchegado?

Estou farto de fazer perguntas estúpidas e insensatas.

Afinas a imagem vale mesmo por mil palavras.

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rabiscado por Palpitar at 15:58 |Permalink| |

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27 de novembro de 2006
A dor de uma frase forte
"Senti logo que a lesão era grave, pois, quando olhei para o joelho, a rotula estava no músculo"
Hélder Barbosa, jogador de futebol.

Um bom exemplo de explicar tudo numa frase só.
Os jogadores de futebol, quase sempre acusados de "falar com os pés", de vez em quando são mais acertivos que ninguém.

Geralmente acertam em cheio quando o assunto tem elevada carga dramática. Como é o caso da grave lesão deste jovem e talentoso futebolista.
Perante uma lesão grave contraída num jogo particular Hélder Barbosa diz "Senti logo que a lesão era grave..." Gastou 7 palavras para contar com clareza e lucidez algo que um médico levaria 5 minutos de palavras dificeis para explicar. Paleio tipo "a rotura do tendão rotuliano com acscensão da cartilagem junto do osso femural..."

O que é simples, claro, directo e emotivo vale sempre mais.
Comunica mais e até os leitores da Bola (de onde vem esta noticia) conseguem perceber.

Depois da frase forte e clarividente pode explicar-se os pormenores. Por exemplo que o jogador ficará sem pisar os relvados por um longo período depois da habitual cirurgia.

Se quiser citar o grande criador de sound-bytes do futebol português, João Pinto ex jogador do F.C. Porto e da selecção nacional, diria que ao contrário de ter "chutado com o pé que tinha mais à mão" Hélder entrou com o pé esquerdo no jogo.

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rabiscado por Palpitar at 11:38 |Permalink| |

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